quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Quando você crescer.

O que é que você quer ser quando você crescer?


É engraçado, quantas vezes não nos perguntamos isso?
Será que a gente vai poder ser o que quer?

A gente vai poder?

As vezes a gente cresce aprendendo que tem que ser feliz com o que tem. Tem que estudar pra ser alguém. Tem que aceitar. Tem que ganhar mil reais por mês e aceitar. Comprar um carrinho usado a prestação.

Quando a gente cresce a gente vê que realmente a gente não pode.

E vai estar cheio de filho da puta dizendo que a gente tem que se contentar.

Ok, eu sou piveta. Ainda bem. Quem vai decidir o que eu quero sou eu.

Uma vez, conversando sobre isso com amigos, uma professora olha pra mim e diz "a vida vai te mostrar a realidade". Eu quase olhei pra ela e disse "enfia a realidade no cu, frustrada", mas a educação que minha mãe me deu (as vezes penso que queria ser um pouco menos educada) e fiquei quieta... Mas pensei sobre isso... Enfim quem faz a realidade? É fácil reclamar... Eu estudei a vida toda em escola pública. Cresci gostando de ler, graças à minha família que sempre incentivou, me ensinou. Quando cheguei na adolescência, fui apresentada a tudo que era coisa errada... Engraçado, comecei a beber cedo... Só que dentro de casa, tomava um pouquinho pra experimentar, não precisava mais que isso. Um pouco depois comecei a sair, só que com meus irmãos... Isso fez toda a diferença. Eu nunca precisei fazer nada errado, tive toda a liberdade em casa... E mesmo assim, vi algumas das pessoas com quem eu cresci, dividi minhas bonecas indo pra um caminho errado, um caminho que muitas vezes não tem mais volta. Eu podia ter ido junto, claro que sim. Vi amigas minhas engravidarem, vi que alguns nunca foram meus amigos. Vi que quanto pior a gente estiver, sempre vai ter alguém pra nos deixar pior. Só que também que algumas pessoas vão estar ali, às vezes não pra dizer o que a gente quer, mas o que precisa ouvir. Que a vida vai dar muitos tapas na nossa cara, eu sei que ainda nem sei o que é mesmo "a vida". Não pago minhas contas, não respondo por mim legalmente e não sei me virar sozinha. Enfim, ainda sou uma criança. Talvez com formas, pensamentos e algumas idéias que às vezes podem parecer de mulher... Mas sou uma criança. Eu tenho sonhos, e ter sonhos não é coisa de adulto. Eles não têm tempo. Eu tenho pena deles. Sou convicta que nesse ponto não vou crescer nunca. E nem quero. E eu ainda não sei o que vou ser quando eu crescer... Eu quero viajar, já percebi por mim mesma que eu sou do mundo, não sou de ninguém. Me apaixono e desapaixono num instante. Não sei viver sem dizer EU TE AMO. É meio que dependência de carinho, de amigos... Enjoô de tudo com uma facilidade assustadora. De repente eu to triste e nada mais ta bom. Aí eu penso: a vida ta uma droga. Não, não é. Quem ta uma droga sou eu. Sempre que você olhar pra vida e achar que tudo ta errado, na maioria das vezes a culpa é sua. Eu sei disso em relação a mim e sei quando tenho que mudar. E acho que agora eu preciso mudar. Alias, preciso não, eu vou. To com medo... Pela primeira vez, eu não sei o que vai ser da minha vida, pelo menos não ainda. Sinto falta só das borboletas no estômago... Ta aí uma coisa que eu nunca entendi. As borboletas. Por que borboletas? Mas sinto falta daquilo do ficar sem fala. O amor. Coisa engraçada que é o amor. Só que agora não é pra falar disso. Talvez eu um dia descubra o que eu quero ser quando eu crescer. E provavelmente eu diga: eu quero ser criança.

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